Sombras

Publicado: 16/12/2011 em Uncategorized

Meu corpo é meu templo, através dele externo vida, meu corpo.

A sombra de algo maior, de algo mais além, não o longínquo inatingível, mas o que está próximo, universo resumido ao meu eu. Aquilo que é sombra não tem o condão de ser verdade, é sombra, sombra que não se toca, que é ausência de luz, em meu templo, em meu eu, agora sendo deus, universo, energia, tudo, para além de barreiras.

O discurso que retumba nas tumbas, o discurso do coração aberto, exposto, coração plástico e mentiroso, defeituoso, meu eu importa mais do que sua sombra adorada, do que sua hipocrisia venenosa.

Meu eu viu-se de fora em uma melancolia que o cercava, desejoso de muitos desejos, medroso de muitos medos, errante, infeliz enclausurado por ditames e discursos, veio a força para quebrar as correntes e sair da caverna e não mais sombras, mas o eu iluminado, sem medos, sem amarras e livre!

Mudanças

Publicado: 09/12/2011 em Uncategorized

Não basta mais escrever, não basta mais estar somente aqui, não basta mais discutir, o mundo continuou a girar e as coisas a mudar.

A revolta contra o velho e a vontade de desbravar não combinam em nada com a covardia, diante estas premissas operarei mudanças.

 Não me importa o quanto e como me julguem, não me importa; ateus, cristãos, agnósticos, céticos, filósofos, eruditos da vida, todos farinha do mesmo saco, deste saco chamado humanidade, o que quero é maior que todos vocês, que qualquer julgamento, que qualquer ponto de vista de terceiros que nada tem haver com meu intento.

Vejo as portas se abrirem, sinto que o mundo precisa ser desbravado, o conhecimento expandido. Perseguirei o mais valioso conhecimento da vida, do sentir, do auto conhecimento

Diante os meus pensamentos sopesei e conclui que estas discussões acirradas de quem tem razão não tem sentido algum, se me permitem a expressão: “encheu o saco” , conclui que a tempos não traz à baila nada de novo, somente as velhas e recalcadas posições de sempre, os antigos ardis e o veneno de víbora que mata a alma.

Sim, estou a pensar em mudanças, pois chegada a hora de sair do lugar e ir além, tanto fisicamente quanto mentalmente…

    Quando os olhos se abrirem e virem que a vida é mais que quatro paredes, muito além das telas, dos ternos, das metas, quando enxergarmos o escravizado, o engessado, o acovardado para não dizer acorrentado pela lúdica imagem de um padrão social.

    Ah! Quando virem os olhos tudo tão diminuto, quando notar os olhos que se passou aprisionado, as paredes apertam e sufocam, as telas cegam e queimam, e que tudo foi movido por metas… acordar, produzir, dormir, acordar, produzir, dormir, acordar, produzir, dormir, acordar, produzir, dormir… metas não comprometidas com a vida, mas compromissadas com o nada, a vida reduzida a sucessões de rotinas infinitas, a vida inutilizada.

    A revolta se esvai por curto espaço de tempo, quando de canto, o olhar aberto atravessa a sala, flutuando por cima das mesas, navegando através das telas e observa pela janela o verde dos poucos arbustos, o vôo dos poucos pássaros, mas ao fundo sempre a trilha fúnebre do mundo, trilha que faz questão de nos lembrar onde “vivemos”…

Certa vez o andar cambaleou, o olhar afugentou-se para o lado de dentro, o nascer do medo, o medo do novo, do crepúsculo indesejado. Cambaleante, afugentado, mesmo assim as mãos não soltam dos vícios que já o atormentam, mesmo assim continuou escravo de si e das raízes que teimam em agarrar-se a este solo já infértil.

Certa vez o mundo girou, girou e não parou, o universo mudou, tudo mudou, as células que lhe constituíram mudaram, tudo mudou, mas aquele medonho olhar continuava afugentado para seu interior, querendo nada ver, as raízes estavam cada vez mais encravadas, e o tudo mudou, nas mudanças veio a nascer uma criança chamada arrependimento, criança gestada no útero das memórias passadas que  emergiram das profundezas do esquecimento para chorar ao ouvido,  para atormentar, a imagem do desperdício, para lembrar que viveu-se do medo, para o medo, do medo… E assim morreu carregando no colo esta maldita criança chamada arrependimento!

Raiva

Publicado: 30/09/2011 em Pontos de vista

Quando meu sangue ferve, quando meus pensamentos aceleram e rumam a um único sentido, quando sinto meus batimentos cardíacos acelerar dentro do peito e sinto o nó na garganta do grito que quer sair… O desejo de com um único golpe, sem misericórdia, arrancar-lhe a cabeça, destituir-te da vida… Ah! Raiva… Nasceu do teu caráter que não agrada, ah raiva, ah raiva!!! Como é difícil extirpar-la.  Neste momento, em que tomas conta do meu corpo… raiva, és um monstro que se alimenta da vida, da própria vida, da minha vida… A mente deleita-se em contemplar seu brilho, seu fulgor, sua energia, a mente que quer atender-la a qualquer custo, frustra-se em não atendê-la prontamente… A imaginação, grande catarse da alma, voa longe, longe e mais longe ao sentir o gosto da vingança, a simples projeção de imagens, ao imaginar o fim… Raiva, ai está você, rude, grosseira, destrutiva, pronta a agir nos arrogantes corações, pronta a destituir a todos de suas vidas, TODOS!!!

Sentidos

Publicado: 26/09/2011 em ??Poesia??

As palavras fugiram ao controle da criação
As notas vivas passam de mão em mão
Agora a besta sedenta não basta por si
A juventude que esvaziou-se em vão

Um único sentido em perder-se
Reencontrar-se
Um sentido para viver
a liberdade

As palavras construíram novos mundos
A linguagem binária que aprofunda
O mundo dos mundos dos mudos
O calar regurgitar da tristeza profunda

O sentido de criar verdades
O sentido de recriar-se
O sentido do brincar
De brindar e esbaldar-se

Ao seu lado há
Há mais que
Há mais que
Há mais que

Razão

Publicado: 22/09/2011 em ??Poesia??

Todos sois filósofos da razão… Todos têm razão… Ninguém tem razão!!!

Brigam, re-brigam, repudiam, digladiam, por razão, razão, razão, razão!!!

Todos a têm… Todos dizem que tem, mas ninguém tem

Eu tenho, tu tens, ele tem, nós temos, todos têm, têm, têm!!!

 

Palavras: razão é palavra e atitude é meramente representação?!

Ah temos a resposta: destruição ou salvação? Quem tem a solução?

Qual de vós tem a razão

Eu tenho, tu tens, eles têm, todos têm, têm, têm…

 

Mas tem o que?  Razão!!

Mas apenas palavras como “destruição”

Mas apenas palavras como “salvação”

Que importa é ter razão, e ter razão e sugar e depredar

Vencer e superar e deturpar e humilhar e mais uma vez ter razão

 

Mas quem a tem? Tem o que?

Tem razão, não lhe entendo! Mas por quê?

Porque eu tenho, tu tens, eles têm, todos têm…

Justo não entender ninguém…